Revolução... segundo o livro de César
PEDRO MIGUEL SILVA
Crise directiva sem fim à vista, salários em atraso, rescisões em perspectiva e o espectro da descida de divisão a começar a vislumbrar-se no horizonte sadino. Muito para uma equipa só que, ainda para mais, foi goleada sem apelo nem agravo por um Braga de... outra galáxia. Pois é. Ao mesmo tempo que a equipa de Jorge Jesus voltou a dar um festival de bom futebol e de golos, Kieszek nada pôde obstar para manter invioláveis as suas redes, facto que já durava há dois jogos consecutivos.
No entanto, os primeiros 45 minutos até adivinhavam um cenário bem diferente do registado após o intervalo. Os sadinos entraram bem na partida, revelaram-se desinibidos e disputaram o jogo sem complexos frente a um conjunto que, ontem, se apresentou com vocação ofensiva, sem Luís Aguiar, é certo, mas com César Peixoto em grande plano.
Os dois técnicos apostaram num 4-4-2 clássico mas com certas nuances. O Braga, mais atrevido, surgiu com um trinco, Vandinho, ao passo que o anfitrião se apresentou com dois mas... por pouco tempo. É que o azarado Zoro viria a lesionar-se nos instantes iniciais, abandonando, prematuramente, o terreno. A solução passou pelo recuo de Hugo e a entrada em cena de Regula para o meio-campo. Resultado: as equipas, tacticamente, acabaram por se encaixar uma na outra, o que não invalidou que ambas repartissem o domínio e as ocasiões de golo.
Só que o melhor estava para vir. As peças, afinal, não mudaram ao intervalo mas a atitude e vontade de vencer da formação de Jesus acabaram por fazer a diferença. A entrada forte do Braga começou a render juros aos 56', com Peixoto - que jogou como nº10 e esteve "só" nos três golos - e Orlando Sá a combinarem de forma perfeita e o avançado, friamente, a fazer o resto.
O Setúbal - que vira antes um golo de Bruno Gama ser anulado por pretenso fora-de-jogo - sentiu o golpe e o Braga, embalado, marcou outros dois de uma assentada: primeiro, num livre de Peixoto a punir lapso de Auri e Kieszek, e, depois, por Rodriguez. Um assalto final, enfim, bem sucedido de uma equipa com saúde e de dimensão europeia.
Setúbal 0-3 Braga
Estádio do Bonfim
relvado em bom estado
cinco mil espectadores
-
Árbitro Olegário Benquerença (AF Leiria)
Assistentes Bertino Miranda e João Santos
4º árbitro José Gomes
-
Setúbal
Treinador Carlos Cardoso
31 Kieszek GR 5
14 Janício LD 5
83 Zoro DC a 5' -
15 Auri DC a 64' 6
55 André Marques LE 5
3 Hugo MD 8
16 Ricardo Chaves MD a 64' 5
8 Elias AD 5
11 Bruno Ribeiro AE 6
21 Mateus AV 6
7 Bruno Gama AV 6
-
23 Bruno Vale GR
2 Michel LD d 64' 2
24 Paulo Regula MO d 5' 5
9 Laionel AE
27 Moisés AD
91 Carrijo AV d 64' 3
81 Joeano AV
-
amarelos 28' Auri, 34' Ricardo Chaves
vermelhos Nada a assinalar
remates à baliza 3 [1+2] remates fora 5 [2+3] faltas cometidas 15 [10+5]
pontapés de canto 5 [1+4] foras-de-jogo 6 [3+3] remates totais 8 [3+5]
Braga
Treinador Jorge Jesus
1 Eduardo GR 6
47 João Pereira LD 6
2 Rodriguez DC 7
44 André Leone DC 6
6 Evaldo LE 5
88 Vandinho MD 6
21 César Peixoto MO 8
30 Alan AD 6
99 Matheus AE a 68' 7
9 Paulo César AV a 78' 7
11 Orlando Sá AV a 85' 7
-
24 Mário Felgueiras GR
27 Filipe Oliveira LD
66 Edimar LE
13 Stélvio MD d 68' 4
10 Jorginho MO d 85' 2
7 Mossoró MO
18 Renteria AV d 78' 4
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Golos [0-1] 56' Orlando Sá ['0-2] 62' César Peixoto [0-3] 65' Rodriguez
amarelos 23'Evaldo, 25' Rodriguez, 26' Vandinho, 49' Matheus, 82' Stélvio
vermelhos Nada a assinalar
remates à baliza 8 [1+7] remates fora 6 [1+5] faltas cometidas 18 [10+8]
pontapés de canto 7 [5+2] foras-de-jogo 1 [1+0] remates totais 14 [8+6]